Get Adobe Flash player
Pesquisa
Assinar Boletim
Recebido
Downloads updated
Mais lidos

postheadericon Rebeliões no Período Regencial

Índice do Artigo
Rebeliões no Período Regencial
A Revolução Farroupilha ou Guerra dos Farrapos (1835-1845)
Rebelião Escrava na Bahia: o Levante Malê (1835)
Sabinada (1837-1838)
Balaiada (1838 - 1841)
Todas as Páginas

Cabanagem (1833-1836)

Antecedentes. Desde o período colonial o Pará era dominado por um poderoso grupo de comerciantes portugueses, aliado aos altos funcionários civis e militares. Contra esse núcleo que resistiu como pôde á independência do Brasil, foi desencadeado nessa ocasião um movimento com ampla participação das cama­das populares. A derreta desse núcleo só aconteceu depois do envio de tropas pelo Rio de Janeiro, sob comando do mercenário inglês Grenfell. Por esse motivo, no Para, a independência foi retardada por quase um ano (agosto de 1823) em relação á sua proclamação oficial (setembro de 1822).

Na luta contra os portugueses destacou-se o cônego Batista de Campos, que obteve grande prestígio entre a massa miserável que habitava as choupanas á beira dos rios: os cabanos.

Contudo, a independência pouco significou para as camadas populares que lutaram por ela. Os seus lideres, como Batista Campos e Malcher, foram marginalizados do governo provisório. Sentindo-se traído, o povo se revoltou, exigindo a participação de seus lideres. A resposta do poder central não tardou: uma violenta repressão foi desencadeada sob a chefia do mesmo Grenfell, que segundo o historiador Nelson Werneck Sodré "prendeu Batista Campos, fuzilou muitos nativos e meteu trezentos prisioneiros no brigue Palhaço, no porão, escotilhas fechadas, atirando cal sobre eles. Dois dias depois, aberto o porão, foram retirados os cadáveres dos bravos paraenses, sacrificados por um mercenária em sua luta pela liberdade e pela independência”.

Novas Agitações - O ciclo das agitações populares reapareceu com a abdicação. As autoridades provinciais nomeadas pela regência foram contestadas. A falta de firmeza da regência piorou as coisas, estabelecendo um clima de grande instabilidade.

Destacou-se nas agitações, novamente, Batista Campas, que em 1832 conseguiu sublevar a comarca do Rio Negro (Amazonas) e impor a sua política ao presidente da província, Macha­do de Oliveira.

Procurando pôr fim às agitações, no início de 1833, a regência enviou um nova governo para a província, que, no entanto, nem sequer chegou a tomar posse.

No mesmo ano, em dezembro, enfim chega­ram as novas autoridades nomeadas pela regência: Bernardo Lobo de Sousa, como presidente, e o tenente-coronel José Joaquim da Silva Santiago, como comandante das Armas.

O novo presidente da província iniciou, imediatamente, uma política repressora, além de recrutar a força todos os suspeitos de envolvimento nas agitações.

Porém, as medidas repressivas foram ineficazes, pois estimularam rebeliões ao invés de contê-las. Foi assim que começou a Cabanagem.

A rebelião. Preparava-se contra Lobo de Sousa um levante armado. As intensas movimentações populares, tanto na capital (Belém) como nas zonas rurais, foram aos poucos encontrando seus líderes: Eduardo Nogueira Angelim, os irmãos Vinagre (lavradores), o fazendeiro Félix Antônio Clemente Malcher, o jornalista maranhense Vicente Ferreira Lavor e o cônego Batista Campos.

Na noite de 6 para 7 de janeiro de 1834 ocorreu o levante dos cabanos, dominando facilmente a capital e executando Lobo de Sousa e as demais autoridades.

Clemente Malcher. Formou-se, então, o primeiro governo cabano, com Malcher na presidência do Pará. Este, curiosamente, declarou­se fiel ao imperador e prometeu ficar no poder até sua maioridade. E mais: reprimiu a própria rebelião que o colocara no poder e mostrou completa inabilidade ao prender e deportar Angelim e Ferreira Lavor.

Enquanto Malcher se incompatibilizava com os cabanos, crescia o prestígio de Francis­co Pedro Vinagre, comandante das Armas. Malcher tramou um golpe contra Francisco Pedro. Mas foi deposto, executado e substituí­do pelo rival.

Francisco Vinagre. Contudo, o novo presidente dos cabanos não se mostrou muito diferente do seu antecessor. E foi mais longe: não só se declarou fiel ao governo imperial, como ainda se dispôs a entregar o poder a quem fosse por este indicado. Procurou negociar direta­mente com a regência, mas foi impedido pelo irmão, Antônio Vinagre, que se colocou à frente dos cabanos. Mesmo traídos, Os revoltosos mantiveram Francisco Vinagre no poder.

O governo regencial, cada vez mais temeroso com o rumo dos acontecimentos, terminou por enviar um forte contingente militar ao Pará, sob o comando de Manuel Jorge Rodrigues, que assumiu o poder em Belém, com a ajuda do próprio Francisco Vinagre, traindo pela segunda vez os cabanos.

O fim. Com a chegada do novo presidente designado pela regência, apenas a capital foi do­minada. No interior, os cabanos reagruparam suas forças e marcharam sobre Belém, retomando a cidade. O presidente Jorge Rodrigues refugiou-se na ilha de Tatuoca, enquanto os rebeldes proclamavam a República e declaravam a província desligada do Império. O novo governo cabano foi então organizado por Angelim, como presidente. Corria o mês de agosto de 183 5.

Em abril do ano seguinte, a regência enviou uma poderosa esquadra com o novo presidente, o brigadeiro Francisco José de Sousa Soares de Andréia. Depois de enfrentar alguma resistência, a fona repressiva desembarcou em Belém em 13 de maio. Os cabanos recuaram novamente para o interior, já enfraquecidos. Sem poder oferecer resistência a uma fona militar muito superior, os cabanos foram perdendo terreno e uma violenta repressão foi desencadeada contra eles.

O saldo da Cabanagem foi de 30 mil mortos e em nossa história destacou-se como o primei­ro movimento popular a ter chegado ao poder.

 



Última atualização (Qua, 07 de Maio de 2008 19:26)

 

Adicionar comentário


Código de segurança
Refresh